sexta-feira, 27 de maio de 2011

denso fim de uma vida inteira

Sentira palpitar por toda parte a possibilidade de enumerar, a partir daí, os aspectos ditosos de seu destino, já que afinal, era B. que ali engenhava poços salgados entre as geometricidades dos olhos, já que era B, no auge dos seus 30 anos, o homem poliglota das perfeições, o papiro delicado onde tratava a vida com serenidade, que segurava sua mão, escorado em joelhos, de um jeito sonhado à pino antes das manhãs. Olhava para o teto, fugira a atenção falsificada aos encontros das paredes, como quem não escutara o que ele dissera a pouco, já pensava em Santa Teresa, o verdinho da Serra, pimenta caseira e o entardecer de ser exposta às dubiedades das circunstâncias de ser jovem (essa indolente batalha que não sabe ela, mas vive e morre atrelado ao fim como lógico da instância ser). Era pequena ali, ainda, tão pequena. A casa transformou-se em um mar de elaborações, prédios de raciocínios construindo-se e desaguando, ondas, onde havia duas saídas: atacar-se a uma bóia da embarcação ou partir rumo ao longe apenas com as forças dos braços, e se fosse o fim, que não chegasse quando ainda em suspensão. E naquele momento que dura até hoje, era quatro de Julho de 1991, peixes erravam sua correnteza no Índico, uma potência débil ia pro espaço dessa vez não literalmente, e aquele homem era tudo menos uma embarcação à vista. “Ele era, aliás, Bernardo Fonseca, sinto lhe dizer sob nossas impossibilidades, mas até hoje, você é uma ilha .”
Não é ela dessas que cultiva conchas ao invés do som vivo do mar.

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