sábado, 16 de fevereiro de 2013

carmélia, com amor


Tá na hora de encontrar o tempo. Tomar um café. Cuspir um café. Levá-lo num restaurante. Servir o peixe mais pura espinha de todos os oceanos. Tá na hora de confrontar o tempo. Mas sem avisar. Sem marcar a hora da hora. Pegá-lo de surpresa. Com as calças na mão. As genitálias expostas. A pele branca cultivada na ausência do sol, finalmente, à mostra de todos. Tá na hora de chutar a porta. Entrar correndo. Olhar bem nos seus olhos. E se o tempo não tem olhos, pois o tempo não tem rostos, e se o tempo está em todos os cantos, está na hora de olhar em todos os cantos. De mirar alto e atirar para baixo, de colocar a cara nas texturas das cores raras e das fáceis. Tá na hora de dizer pro tempo quem é que manda. E se ele por acaso não escutar, pois o tempo não tem ouvidos, é preciso o calar para sempre. Tranquafiá-lo no armário do vizinho, levá-lo pela primeira vez para a praia para conhecer a sensação de se afogar, espichá-lo feito carpete por todas aquelas ruas em que nunca mais voltaremos. Tempo Precisamos ter uma conversa séria. Isso daqui não está dando certo.



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