quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

minha irmã agora fica em silêncio e anota algumas frases que eu digo, para pensar depois, antes de pegar seu voo para nossa cidade com a mala recheada de lembranças dos países que passamos nos últimos dois anos. meu amigo está feliz porque encontrou um grande amor e também encontrou o pai do filho dos dois, anunciando para sua mãe e tia. hoje ela me disse que pensou em mim e tive medo por saber a verdade temporária mas menos medo por saber a verdade duradoura. minha amiga não para de trabalhar mas está em dia com os santos, meu pai construiu uma ponte muito bonita aonde pode-se enquadrar o sol e minha mãe esta viciada em tirar fotos de jupter onde o que vemos na verdade é apenas uma luz muito forte a expulsar os olhos. meu amigo me escreve para dizer que seu sogro saiu do hospital e que seu sobrinho a partir de agora pode nascer a qualquer momento enquanto eu escuto músicas de um antigo amigo, que fez para mim, no tempo em que morava em são paulo. agora já moro no outro lado do oceano, como lembrou alguém em uma mensagem anônima que li hoje, perguntando se vim para cá atrás de homem. eu ri. minha amiga recém voltou da espanha e diz começar uma campanha para que nosso amigo encontro logo o amor, ela está feliz aqui, com o menino do meu estado, cantamos música sertaneja e cozinhamos muito, hoje eles consertaram todos os móveis da sala. meu amigo em breve irá levar o menino que ele gosta para sua pequena cidade, no interior de minas gerais, enquanto isso, um casal de amigos meus está no egito, minha amiga acabou de voltar de Colónia, e meu amigo do futebol e da poesia, que mora em Paris, está aqui, e logo iremos nos encontrar no meu lugar favorito, amor records. hoje passei o dia editando um vídeo que gravei com minha irmã, do percruso da zona sul até o centro histórico de carro, e o sol era forte e vinha por todos os cantos, tive tanta vontade de chorar, de chorar porque retornar é sim possível, e todos meus amigos, debaixo daquele sol vivem a vida de uma forma possível porque estão juntos embora exigam apenas o inesperado e o extraordinário. hoje disse para meu amigo que não posso mais trabalhar com ele, enviei uma proposta de trabalho para outro amigo porque sei que para ele também isto é carinho. sei que em breve meu amigo virá de Madrid e nos abraçaremos fortemente, sei que em breve meu amigo virá da Malásia e ele me dirá palavras muito fortes, que preciso ouvir, porque sei também que admiro neles a capacidade de saber aonde exatamente estão. meus amigos estão em são paulo, voltaram para o natal, meu amigo voltou a fazer drag, e quase se apaixona muito frequentemente, ante-ontem foi aniversário da minha amiga mas ela dedicou muito tempo a me dizer que preciso ter coragem, especialmente no amor. há poucos dias estreiamos nosso filme e era eu a dizer a ela, depois de uma fala ao público, está tudo bem, já passou, nos resta rir, aqui regra o signo de sartigário. faz tempos que pedi ao meu amigo que me mandasse algo que escreve, embora eu mesmo já não escreva e isto me faça muito mal. estamos no fim do ano, hoje olhei a foto de minha avô, e de como quero lembrar dela como alguém que não se rendeu. eu disse a minha irmã, isto é importante para mim, depois de nosso desentendimento na exposição brasileira. é quase o fim do ano, todos os sensistivos falam bem do meu signo solar, tenho medo de cair como todos os outros ou pior, medo de pegar atalhos, elevadores, escadas rolantes, o que não faz o meu feitio, medo de perder por não ser eu mesma. sinto uma falta absurda do mar, meu amigo terminou o relacionamento com o menino que gostava depois de conhecer seus amigos portugueses, minha amiga pisciana está na cidade e precisamos nos ver de novo, mas amanhã haverá um temporal de nome emília. comemos pasteis de nata esta semana quando ela brigou com a amiga belga e ela me contou que conheceu uma mulher e de como foi duro o retorno com o ex, o retorno que não lembrei por preferir esquecer. eu quero dizer que gosto dela, eu quero dizer a todos meus amigos presentes e distantes o quanto gosto deles. neste momento onde quando como sinto sentar-se comigo todos meus amigos de minha cidade e como por todos, e corro por todos, e durmo por todos. Ando inquieta, eu mesma acabei de voltar dos pirineus, e não reconheço bem este quarto onde vivo, muito pequeno, muito só. Eu quero ligar para minha amiga que mora na argentina e dizer a ela que ela está certa sobre tudo, preciso dizer a ela que eu descobri outra vida no País Basco e não quero deixá-la ir embora. E que sentir o amor, este tipo de amor que para mim é dos mais reconhecíveis e valiosos, é para mim a felicidade. E de como me emociono com isto, com este rosto, e de como espero firmemente estar à altura dele e da situação. E que no fundo é isto que eu sou, como se estivesse retornando a mim mesma finalmente depois de anos. Eu sei que ela choraria e eu choraria, ao dizer das cavernas que entrei, dos espíritos antigos, das bruxas como nós, do cinturão de ferro do dia em que pensamos ter vencido a guerra, do ficar o dia todo em casa, em uma casa que não é sua com uma vontade que agarra todos centímentros do corpo e ignora qualquer geografia ou contrução. E talvez, possamos falar em poesia de novo. Mas antes tiro o tarot, digo a minha amiga, não tirava o tarot agora o faço, porque tenho algo que não cabe no peito e tem medo enfim da palavra. Tiro cartas de espera seguidas de cartas de extrema felicidade, dúvido. Enquanto isto, na metade do mês, quase enlouqueço com tanto trabalho, penso em como seria mais fácil a vida falando outro idioma, penso no ano novo em que passei sozinha na zona norte de porto alegre, apenas com meu violão e o coração cheio, cheio de esperança e de tudo que desejei. Penso nos livros que quero escrever, penso em tirar a carta e viajar rumo ao sul do meu continente com ela. Penso em dizer aos meus pais que os amo, de insistir com amigos que não vejo há tempos, penso nos filhos que quero ter, que são sim tão importantes para mim, penso no amor, como rezo para o mundo um prolongamento. São estas pequenas coisas, estamos vivos, a duração de um segundo contra o século, teu rosto tocando meu passado e futuro, as histórias que contamos para dar as céus nuvens que são nossas, para reclamar o tempo também para nós. Estou cheia de medo, estou cheia de desejo, e ambiciosamente em busca de me unir na face elaborante do amor. Pela primeira vez, quando e talvez, porque vejo algo tão lindo, reconheço este medo mas também, quero dividi-lo, e quero celebrar tudo o que não é ele. Estamos juntos é tudo que eu quero dizer, na velocidade infreável dos próximos anos, com a cara a postas, os amigos a mesa, e tudo que um dia ainda diremos massageando o ar, a pele, o mais fundo das palavras e de nossas gargantas.

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